Luxo raiz
Nissan Frontier 2023 ganha visual moderno, mais tecnologia e maior capacidade off-road
As picapes médias são um gênero de veículo que mais recebe investimentos das marcas que atuam no segmento. A motivação se torna autoexplicativa quando se confronta a tabela de preços e os volumes de venda. Apenas em 2022, foram emplacadas 25 mil unidades, distribuídas entre seis modelos que custam entre R$ 220 mil e R$ 350 mil. Nestas circunstâncias, as picapes médias assumiram uma função veículo que combina luxo, lazer e robustez, por isso se tornaram objeto de desejo principalmente fora dos grandes centros urbanos, pois se trata de uma espécie que precisa de espaço para se movimentar. Exatamente para chegar mais próximo ao desejo do potencial consumidor, as marcas têm adotado a tática de criar diversas versões. A Nissan está disposta a colocar a Frontier no meio dessa briga, que vem sendo protagonizada por Toyota Hilux, Chevrolet S10 e Ford Ranger, e promoveu diversas mudanças para a linha 2023. Inclusive com a criação de duas versões de topo. A Platinum é voltada para mais o luxo, enquanto a Pro4X se destina ao off-road.

A maior mudança implementada pela marca japonesa foi no visual. E a alteração que mais chama a atenção é a dos conjuntos óticos. Eles mantiveram o mesmo formato externo, mas internamente ganharam quatro canhões de led quadrados e uma assinatura dupla em led em forma de “L”, na parte superior e inferior, interrompida pela luz da seta. A grade ficou mais alta e é separada da entrada de ar inferior apenas por uma faixa estreita de para-choque. A moldura, que contorna as laterais e a parte superior, é em preto fosco na Pro4X e em cromado nas demais versões. Os clusters dos faróis de neblina ficaram mais protuberante e o capô ficou mais elevado na parte central.

Na traseira, as lanternas mantiveram também o mesmo forma externos, mas agora trazem um grafismo mais trabalhado, além de luzes de posição e de freio em led – os piscas, como na frente, são em lâmpadas incandescentes. A tampa traseira traz o nome Frontier em alto-relevo e traz na parte superior um prolongamento mais acentuado que o anterior – tanto que a altura ali foi aumentada em 4,8 cm. Visualmente, funciona como se fosse um spoiler. O para-choque ganhou um rebaixo na parte central, que serve como degrau para facilitar o acesso a objetos na caçamba. De perfil, portas e vincos se mantiveram, mas na versão Pro4X, as molduras que contornam as caixas de roda ganharam refletores que dão um chame às laterais.

Além da frente e da traseira novas, mudanças de praxe em qualquer face-lift, a Frontier também trouxe alterações que mudaram a percepção geral sobre o modelo. Nesse redesenho, as partes frontal e traseira ficaram mais altas, o que mudou as proporções da picape – o que, de fato, não é verdade. A única alteração foi no comprimento, onde ela ganhou 1 cm. As medidas ficaram em 5,26 metros de comprimento, 1,85 m de largura e 1,86 m de altura, com entre-eixos de 3,15 m. Mas a sensação é que ela agora parece mais curta e mais alta, com um ar rechonchudo, que a deixa mais simpática. Na parte não visível, o modelo ganhou um reforço no chassi para aumentar a rigidez torcional, o que se reflete numa melhor dirigibilidade, principalmente no asfalto.

Um incremento importante em segurança foi a adoção de freios a disco também nas rodas traseiras. Além disso, a Frontier recebeu recursos ADAS, já presentes em rivais como S10 e Ranger, no pacote chamado de Safety Shield. Este pacote é de série nas versões de topo Platinum e Pro4X e conta com alerta de colisão com frenagem autônoma, sensor de ponto cego, monitor de faixa com ação corretiva, alerta de tráfego cruzado e farol alto automático – faltou apenas o controle de cruzeiro adaptativo. A Frontier conta ainda com câmera 360º que simula visão aérea.

Sob o capô, nenhuma alteração significativa em relação ao desempenho. Continuam duas motorizações. A mais simples, da versão S, destinada a frotistas, que usa o motor 2.3 diesel com turbo simples e rende 163 cv e 43,3 kgfm, combinado com um câmbio manual de seis marchas. Já s demais versões trazem o mesmo 2.3 litros diesel biturbo de 190 cv e 45,9 kgfm, gerenciado por um câmbio de sete marchas. Uma novidade aqui é que passa a contar com quatro modos de condução – Standard, Sport, Off-road e Tow, para uso com reboque. Ambas motorizações agora contam com um sistema de redução catalítica que usa Arla 32, para se enquadrar nas normas de emissões do Proconve L7. Com isso, o modelo ficou ligeiramente mais econômico – entre 2 e 4% ‑, mas o tanque de combustível foi reduzido de 80 para 73 litros, o que no fim fez a autonomia cair um pouco. Todas as versões contam com sistema de tração 4X2 com 4X4 e reduzida, mas apenas a versão Pro4X tem bloqueio mecânico do diferencial traseiro.

A Frontier está prevista para chegar às concessionárias da marca na última semana de abril com preços que começam nos R$ 230.197 da versão S, a única com câmbio manual, passa pelas intermediárias SE de R$ 258.590, Attack de R$ 263.648 e XE de R$ 278.942 e chega às de topo, Platinum e Pro4X, ambas por R$ 314.590 (Fotos e texto de Eduardo Rocha, Auto Press).
Ponto a ponto
Desempenho – A Nissan Frontier ganhou itens de tecnologia, conforto e luxo, mas também incrementou a pegada de picape robusta e resistente. O conjunto mecânico é praticamente o mesmo. O motor 2.3 biturbo tem 190 cv de potência e 45,9 kgfm de torque. e gerenciado por um câmbio automático de sete marchas e com tração 4X2, 4X4 e reduzida, mas na nova versão Pro4X passa a contar com bloqueio do diferencial traseiro – que ajuda a sair de situações mais críticas no fora-de-estrada. Mesmo sem o recurso, porém, a Frontier está credenciada a encarar um off-road pesado por conta da excelente suspensão e o reforço estrutural, que aumentou a rigidez torcional sem comprometer a leitura do piso em terrenos mais acidentados. No mais, é uma picape “truck”, com um câmbio automático com reações lentas, e um motor pouco elástico. Em compensação, toda a força do motor já está disponível a 1.500 giros. Nota 8.

Estabilidade ‑ A Frontier impressiona neste aspecto. Cada uma das configurações de rodas e pneus funciona muito bem no seu ambiente prioritário. Na nova versão Platinum – e também na S, na SE e na XE –, as rodas de 18 polegadas com pneus All Season 255/60 funcionam muito bem no asfalto e consegue de sair bem na terra – apesar de acumular muita lama nos sulcos. Na nova Pro4X, assim como na Attack, as rodas de 17 com pneus 255/65 All Terrain se dão melhor na lama, mas perdem um pouco de precisão no asfalto. Em ambos os casos, a suspensão, com triângulos sobrepostos na frente e multilink atrás, oferecem equilíbrio e conforto inesperados em uma picape que pesa em torno de 2.200 kg e que foi testada com a caçamba leve – com alguma carga, a tendência é ter um comportamento ainda mais equilibrado. Nota 9.
Interatividade – A Frontier ganhou alguns recursos ADAS, que podem aumentar a segurança, como sensor de ponto cego e de tráfego cruzado, alerta de faixa com correção autônoma, alerta de colisão com frenagem autônoma e farol alto automático – no pacote só faltou o controle de cruzeiro adaptativo. Recebeu também, entre o velocímetro e conta-giros analógicos, um painel um TFT de 7 polegadas, com um computador de bordo bem completo e fácil de navegar. O volante multifuncional tem os comandos nos lugares tradicionais e é fácil de operar. A câmera 360º é bem-vinda em manobras e em conjunto com o sensor de proximidade, facilita bem o manejo dos 5,26 metros do modelo. Nota 9.

Consumo – O tanque foi reduzido de 80 para 73 litros, o que obviamente fez cair a autonomia do modelo. O modelo também passou por mudanças, em função das exigências do Proconve L7, passa a trabalhar com sistema de redução catalítica que usa Arla 32 e reduziu o consumo em média, 3%. Passou de 8,9 para 9,1 km/l na cidade e de 10,1 para 10,5 km/l de diesel na estrada. Na comparação com outras picapes de mesmo porte, tem exatamente os mesmos índices: C na categoria e D no geral. Nota 7.
Conforto – Na última atualização, em 2019, a Frontier ganhara suspensão mais macia, o que incrementou o conforto. Agora, com o reforço no chassi, incrementou a rigidez torcional e melhorou o controle dinâmico. Tem um bom isolamento acústico, o motor vibra pouco para um diesel de baixa rotação e o espaço para quem vai atrás é bem razoável (quem vai na frente, como sempre, é privilegiado). Nota 8.
Tecnologia – A Frontier é uma picape moderna, principalmente no que diz respeito ao sistema suspensivo, o mais sofisticado na categoria, e à estrutura, que é de 2014 – 8 anos não é muito para um utilitário. Agora passa a oferecer sistemas de assistência à condução, como alerta de colisão e monitoramento de faixa de rolamento. Conta ainda com computador de bordo no painel em tela de TFT de 7 polegadas, central multimídia com tela de 8 polegadas, sistema de câmera 360º e câmera frontal para off-road. Nota 9.

Habitabilidade – A Frontier recebe bem os passageiros no banco e trás e muito bem os ocupantes da frente. Um problema comum às picapes médias é o acesso à cabine, por conta da altura. Falta uma alça para o motorista, que acaba se apoiando no volante quando entra no carro. O modelo carrega 1.054 litros na caçamba, que agora podem ser compartimentados por um acessório que divide a área de carga e permite que seja criado um porta-malas menor, que deixa os objetos próximo da tampa traseira – que ganhou um sistema de contramolas para ficar mais fácil de manejar. Nota 8.
Acabamento – A Frontier segue o conceito de usar materiais que privilegiam a resistência antes do luxo. Ainda assim, o modelo ficou mais requintado. Por dentro, o volante ganhou um novo desenho mais elegante, com os aros mais finos, e o controle de ar-condicionado duplo agora é feito por um console digital. O padrão do estofamento em couro da versão Pro4X também ficou mais sofisticado. Todas as superfícies de toque são acolchoadas. Nota 8.
Design – Foi um grande ganho dessa nova fase da Frontier. Os designers da marca elevaram a frente e a traseira do modelo – a caçamba ficou com a borda 4,8 cm mais alta –, o que criou a impressão de que a picape ficou mais parruda e parece menor do que é. Ficou meio rechonchuda, muito simpática e atraente. Um sutil spoiler na tampa traseira dá alguma esportividade ao modelo. Mas o maior charme mesmo é o novo conjunto ótico, com quatro canhões quadrado em led de cada lado, que dão um aspecto futurista à picape, que combina muito bem com a moldura em preto fosco da grade da versão Pro4X. Nota 9.

Custo/benefício – A linha 2023 da Nissan Frontier não tem no preço um de seus atrativos. Ela é um pouco mais cara que as rivais diretas e custa, nas versões automáticas, entre R$ 258.990 e R$ 315.490. Apesar de trazer alguns bons equipamentos, faltam itens que seriam comuns em versões de topo, como capota marítima e santantônio, que certamente vão engordar a conta na concessionária. Nota 6.
Total – A Nissan Frontier 2023 somou 81 de 100 pontos possíveis.
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Primeiras impressões
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Puerto Iguazú, Argentina – Antes mesmo dos incrementos que recebeu nessa nova fase, a Nissan Frontier já era uma das duas melhores picapes médias para a prática do off-road vendidas no Brasil – dependendo da personalidade do condutor era a primeira ou a segunda. Tanto pela suspensão, que é a mais evoluída do segmento, quanto pelos recursos de tração – ela já contava com um diferencial de escorregamento limitado que usa o ABS para controlar a roda sem aderência. Agora ficou um pouco mais radical na versão Pro4X, que conta com bloqueio mecânico do diferencial traseiro. Mesmo que o trajeto desenhado pela Nissan Argentina, responsável pelo lançamento, fosse meio “café-com-leite” para um modelo com a capacidade da Frontier, uma forte chuva na noite anterior ao teste adicionou alguma emoção ao evento.

Na primeira parte do trajeto, o modelo testado foi a Platinum, que traz pneus 255/60 AT, revestindo rodas de liga leve aro 18. No asfalto, a versão tem uma direção mais precisa, sem qualquer necessidade de correções de trajetória. No off-road, no entanto – na verdade, uma estreita estrada de terra com bastante lama e algumas poças –, os pneus logo ficavam coberto de lama e deixavam o veículo escorregar. Já a versão Pro4X, usada na segunda parte do teste, tem um comportamento menos firme no asfalto, mas ganha em dirigibilidade na lama.
Ambas as versões, no entanto, oferecem um alto nível de conforto, tanto no asfalto quanto na lama, dada a qualidade do sistema suspensivo. O isolamento acústico de boa qualidade também ajuda na impressão de solidez que a Frontier transmite em todas as situações. O motor é o conhecido 2.3 biturbo, com muita força em baixos giros, mas pouca elasticidade – o zero a 100 km/h é feito em 11,3 segundos com máxima de 180 km/h. Ele se sai razoavelmente bem no asfalto, mas é muito melhor no off-road.

Por dentro, a cabine evoluiu em vários detalhes. O controle do ar duplo agora é digital e tela de TFT entre os instrumentos do painel passou a ter 7 polegadas. A do sistema multimídia, por sua vez, cresceu para 8 polegadas. Os bancos dianteiros têm ajuste elétrico, mas o volante não conta com coluna telescópica e tem apenas regulagem de altura. Os acabamentos e revestimentos são de boa qualidade, mas a presença de teto solar parece uma extravagância. Provavelmente, é exigência do mercado argentino, já que os brasileiros preferem ficar mais isolados do Sol.
Ficha técnica
Nissan Frontier Platinum (Pro4X) 2023
Motor: Diesel, dianteiro, longitudinal, biturbo, 2.298 cm³, quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro com comando duplo de válvulas. Injeção direta de combustível. Acelerador eletrônico.
Transmissão: Câmbio automático com sete velocidades à frente e uma a ré. Tração 4X4 com diferencial com escorregamento limitado (Bloqueio do diferencial traseiro). Oferece controle eletrônico de tração e quatro modos de condução.
Potência máxima: 190 cv a 3.750 rpm.
Torque máximo: 45,9 kgfm a 2.500 rpm.
Diâmetro e curso: 85,0 mm X 101,3 mm. Taxa de compressão de 15,4:1.
Suspensão: Dianteira independente do tipo Double Wishbone, com molas helicoidais, amortecedores hidráulicos telescópicos e barra estabilizadora. Traseira com eixo rígido e múltiplos braços de controle com molas helicoidais e barra estabilizadora. Controle eletrônico de estabilidade.
Freios: Discos ventilados na frente e discos simples atrás. ABS e EBD de série.
Carroceria: Picape média cabine dupla sobre longarinas com quatro portas e cinco lugares. Com 5,26 metros de comprimento, 1,85 metro de largura, 1,86 metro de altura e 3,15 metros de distância entre-eixos. Airbag duplo frontal, lateral e de cortina de série na versão.
Peso: 2.207 kg (2.020 kg) em ordem de marcha. Carga útil de 1.030 kg (1.010 kg) de carga útil.
Capacidade do tanque de combustível: 73 litros.
Capacidade off-road: Ângulo de ataque de 31,2º (31,6º), ângulo de saída de 25,6º (25,7º), ângulo de inclinação máxima em subida de 22,1º (22,3º) e altura livre do solo de 24,7 cm (25,2 cm).
Produção: Córdoba, Argentina.
Lançamento da geração no Brasil: 2017.
Atualização: 2022.
Preço: R$ 314.590.





