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Renault Megane muda tudo

Troca de forma e de conteúdo

Renault Megane vira crossover, passa a ser 100% elétrico e está prometido para o Brasil em 2023

                O novo Megane se transformou em um SUV compacto que tem uma pretensão nada modesta: reinventar a dinâmica. O crossover surge como uma segunda etapa, bem mais refinada, de modelos elétricos da marca e chega ao mercado com uma autonomia que pode alcançar até 470 km para a versão mais potente. O modelo aparece em três versões – Equilibre, Techno e Iconic ‑ com preços na França entre 35.200 e 47.400 euros – equivalentes a R$ 195 mil e R$ 265 mil. Para o Brasil, a princípio, a Renault trará a versão de topo, Iconic, que chegaria com preços em torno de R$ 400 mil, o que o colocaria confronto, com vantagem em conteúdo, com modelos de entrada de marcas de luxo do “baixo clero”, como é o caso da Volvo e seu X40 Recharge. Com a chegada do Megane, a Renault iniciaria um processo de valorização da imagem da marca no país, como protagonista na eletrificação automotiva.

                A Renault começou a enfrentar o desafio do elétrico há algum tempo com o Twizy, o Twingo e o Zoe, mas hoje a marca acredita que chegou a hora de dar o próximo passo com o Megane E-Tech Electric, para brigar com modelos de maior volume. O modelo, que foi lançado em 1995 como um hatch do segmento C, ganhou a versão monovolume Scénic em 1997, que foi produzida no Brasil entre 1998 e 2010. Agora ele ressurge como um SUV compacto, do chamado segmento B+, onde se posicionam modelos como Hyundai Creta, Honda CR-V e Chevrolet Tracker.

                O Megane E-Tech Electric se baseia na plataforma CMF-EV da Aliança Reanult-Nissan-Mitsubishi e tem 4,21 metros de comprimento, 1,78 m de largura, 1,50 m de altura com distância entre-eixos de 2,68 mm. Suas linhas são fluidas e oferecem uma frente imponente com conjuntos óticos com seis cluster interligados por um friso na grade e uma assinatura luminosa que rasga o para-choque em um desenho que parece um bico de águia. O capô do motor traz a parte central elevada e o para-choque é composto por uma falsa grade com uma trama formada por pequenos retângulos verticais. Tudo isso dá ao carro uma grande personalidade.

                A linha de cintura é bastante alta, seguindo as diretrizes do mundo crossover. Na base dos vidros, Há um degrau na altura da janela de trás, que destaca ainda mais a grossa coluna traseira e o spoiler em cantilever. As maçanetas das portas dianteiras são embutidas e as das portas traseiras ficam ocultas na coluna. De modo geral, a traseira lembra a do Kia Sportage, mas com detalhes que dão personalidade própria, como a assinatura luminosa que percorre toda a largura do veículo, interrompida apenas pela nova logomarca do fabricante, e as lanternas altas, com formato de bem afilado.

 

                No interior, o novo Renault Megane E-Tech Electric foca nos equipamentos tecnológicos, útil para facilitar a vida do motorista e dos passageiros. O tablier é composto por um conjunto que percorre toda a área atrás do volante e se prolonga pelo console central. O painel de instrumentos totalmente digital inclui o cockpit digital de 12,3 polegadas e um sistema multimídia acessado em uma tela de toque de 12 polegadas. O Megane integra soluções Android Automotive com navegador do Google Maps com inteligência artificial (capaz de planejar as rotas com os estágios para recarregas), comandos de voz, espelhamento de smartphones através de Apple CarPlay e Android Auto e gerenciamento de energia a bordo. Este conjunto digital, que totaliza 24 polegadas de tela, está disponível apenas nas configurações Techno e Iconic, enquanto a versão básica Equilibre traz uma tela de 9 polegadas para o sistema multimídia e perde diversos recursos de conforto.

                O novo Megane E-Tech Eletric pode receber duas configurações de motor. O EV40 oferece 130 cv de potência, com 25,5 kgfm, alimentado por uma bateria de 40 kWh, que oferece uma autonomia máxima de 300 km. A versão mais forte, EV60, disponibiliza 220 cv e 30,6 kgfm, com baterias com 60 kWh de capacidade, que permitem uma autonomia de até 470 km – tudo medido no otimista ciclo WTLP.

 

                        As duas versões também diferem na tecnologia de carregamento: o EV40, na verdade, suporta sistemas CA de 22 kW e sistemas DC de 85 kW, enquanto o EV60 sozinho é compatível com colunas públicas de “carga rápida” de até 130 kW, e é capaz, segundo a Renault, de recuperar até 300 km de autonomia em apenas 30 minutos (Por Ivana Gabriella Cenci, Infomotori.com/Itália, exclusivo no Brasil para Auto Press. Fotos de Divulgação).

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Impressões ao dirigir

Suave na nave

O teste de condução ocorreu ao longo das estradas da Costa do Sol, na região espanhola da Andaluzia. A versão disponível, como costuma acontecer em lançamentos, era apenas a mais forte: EV60 com 220 cv e 300 Nm com acumuladores de 60 kWh e alcance de até 470 km – de uma bela cor Rafale Cinza e o teto preto. O crossover enfrentou inicialmente uma via expressa e depois continuou por um caminho muito sinuoso até a bela cidade de Ronda e depois ladeira abaixo para o retorno a Málaga.

                Foi um primeiro contato de 200 km para apreciar as qualidades dinâmicas do carro. O tempo todo, a energia fornecida pelas baterias foi considerável e garantiu um passeio dinâmico, divertido e, acima de tudo, seguro durante ultrapassagens rápidas. O baixo centro de gravidade do Megane elétrico, graças às baterias colocadas no piso, aumentam significativamente a estabilidade do veículo e o prazer de dirigir.

                As pás do lado esquerdo do volante permitem que você escolha entre quatro níveis de recuperação de energia, muito útil ao percorrer um trecho descendente: o sistema de frenagem regenerador de energia, por um lado permite reduzir significativamente o pedal do freio, por outro, ajuda a alimentar a bateria e aumentar a autonomia do veículo. Não chega a oferecer uma condução revolucionário, mas com certeza é extremamente agradável.