Um sopro de vigor
Renault Duster Iconic com motor turbo ganha desempenho e sofisticação sem perder a essência
Desde que surgiu no mercado brasileiro, em 2012, o Renault Duster adotou a linha de SUV raiz – em contraposição ao papel crossover do Ford EcoSport, único rival na época. Hoje o mercado está abarrotado de SUVs, que responderam por quase metade de todos os automóveis de passeio vendidos no Brasil. O Duster, no entanto, sempre manteve a pegada mais rústica. Nem a atualização, feita há dois anos, mudou este conceito. Neste ano, com a chegada do motor TCe 1.33 turbo, o preço da versão topo de gama, Iconic, deu uma estilingada, mas ainda manteve a lógica de unir robustez e preço competitivo. E é preciso reconhecer que esta estratégia vem dando certo para a Renault. A ponto de seu SUV mais elegante, Captur, não estar resistindo ao fogo amigo. O Duster tem mantido cerca de 1.900 unidades mensais, enquanto o Captur está com uma média inferior a 40 emplacamentos mensais.![]()
O motor TCe 1.3 turbo flex à gama abriu a possibilidade de o Duster voltar a oferecer no Brasil a tração 4X4 para o modelo, que saiu de catálogo por conta da inadequação do velho motor 2.0 litros às exigências de emissões. Afinal, o novo motor tem potência e torque de sobra para distribuir entre as quatro rodas do veículo. São 162/170 cv a 5.500 giros e 27,5 kgfm, já a partir de 1.600 rpm. A configuração 1.3 T 4X4 do Duster, inclusive, já sai das linhas da Renault em São José dos Pinhais, no Paraná, com destino às concessionárias da marca na Argentina, onde a tração integral é bem mais apreciada que no Brasil. Mas até agora, a Renault não dá qualquer sinal de vender uma versão com tração integral no Brasil.
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O motor turbo do Duster só está disponível na top de linha do modelo, a Iconic, e custa a partir de R$ 146.990. Isso representa um acréscimo de R$ 14 mil à conta da mesma versão com motor 1.6 SCe aspirado, de 120 cv. Esse valor é R$ 17.200 mais barato que a mesma versão Iconic do Captur, o que explica o mau desempenho do SUV mais chique nas vendas. Em relação aos principais rivais, o Duster também apresenta uma relação custo/benefício vantajosa. Sai cerca de R$ 8 mil a menos que um Jeep Renegade equivalente e mais de R$ 20 mil a menos que um Volkswagen T-Cross com conteúdo semelhante.
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Em relação ao conteúdo, aliás, a crítica maior fica concentrada nos equipamentos de segurança. O modelo conta apenas com o trivial: airbags frontais, ABS, controle de estabilidade e tração e sensor de obstáculos. Fora desse pacote básico, ele traz sensor de ponto cego, sensor de luminosidade e sistema Multiview, com quatro câmeras externas, com imagens exibidas individualmente, sem composição. A versão conta ainda com rodas de 17 polegadas, apoio de braços dianteiro, chave-cartão de proximidade para travas e ignição, ar-condicionado automático, sistema Start/Stop e faróis de neblina. Na linha 2023, o modelo passa a trazer de série revestimento dos bancos em couro sintético e moldura nas caixas de rodas de para-lamas. No caso da versão avaliada, trazia o chamado Pack Outsider, que consiste em um para-choque dianteiro reforçado com faróis auxiliares embutidos, borrachões e protetores nas portas, que aprofundam ainda mais o aspecto de SUV parrudo do Duster (Texto e fotos de Eduardo Rocha, Auto Press) .
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Ponto a ponto
Desempenho – O motor TCe 1.3 Turbo modifica intensamente o comportamento do Duster. O torque de 27,5 kgfm fica em regime máximo entre 1.600 e 3.750 rpm. Ou seja: está disponível em praticamente toda a faixa de uso na cidade desde a arrancada. Em estrada, a potência de 170 cv a 5.500 giros, lida com muita facilidade dos 1.353 kg do modelo e permite ganhos rápidos de velocidade. O câmbio CVT de oito marchas tem reações rápidas e interpreta bem as intenções de quem pressiona o acelerador. Com isso, o Duster é suave ou brusco, de acordo com o freguês. Nota 9.
Estabilidade – A altura elevada é bem controlada pelo conjunto suspensivo, que tem mais compromisso com a robustez do que com o conforto. Em velocidades mais altas, a direção mantém a boa comunicação e não há qualquer flutuação. Há um pequeno movimento lateral quando forçado em trechos sinuosos, mas não há qualquer insinuação de descontrole. Tanto que dificilmente o controle eletrônico de estabilidade e tração é chamado a atuar. Nota 8.
Interatividade – O Duster tem uma interação simples e agradável. A tela de 8 polegadas do sistema multimídia tem boa visibilidade e alguns itens de assistência, como sensor de ponto cego e farol de acendimento automático, são bastante práticos. Apenas o sistema Multiview, de monitoramento com quatro câmeras, é um tanto limitado. Elas funcionam de forma separada e não conversam entre si para montar uma visão de 360º. O recurso é bom apenas para controlar o entorno do carro, em um terreno acidentado ou durante estacionamento. Nota 8.
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Consumo – O Duster com motor turbo melhorou sua performance no Programa de Etiquetagem Veicular do InMetro em relação ao motor 1.6 aspirado e ficou cerca de 4% mais econômico. O consumo aferido foi de 7,7/8,4 km/l na cidade/estrada com etanol e 10,8/11,5 km/l com gasolina, nas mesmas condições. Isso representa notas “A” em sua categoria e “C” no geral. Nota 8.
Tecnologia – A plataforma, apenas de algumas mudanças, continua sendo a B0, a mesma que sustenta o Duster desde seu lançamento lá fora, em 2010 e já estava presente em outros modelos da romena Dacia desde 2002 ‑ a Renault já estuda lançar uma nova geração do SUV em 2024. Já o motor, desenvolvido junto com a Mercedes-Benz, e a transmissão CVT, de origem Nissan, conseguiram uma boa interação. Em relação à segurança, o Duster conta com sensores de ponto cego, de obstáculos traseiros e de luminosidade. É pouco para um carro que passa de R$ 140 mil, no caso da unidade testada. Na parte de conectividade, a versão Iconic conta com um roteador no sistema multimídia, mas perdeu o GPS nativo. Nota 7.
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Conforto – A arquitetura de um SUV favorece o bom espaço interno. E o Duster é especialmente generoso nesse item em comparação aos rivais. O modelo tem bancos dianteiros ergonômicos, encorpados e macios, que não cansam, mesmo em viagens mais longa. A suspensão pensada para encarar trechos esburacados tem um bom curso, o que acaba se refletindo em uma certa maciez de rodagem. O isolamento acústico é aceitável, mas não oferece um silêncio de catedral. O som rascante do motor turbo entra com facilidade no meio da conversa quando é exigido. Nota 8.
Habitabilidade – O porta-malas com bons 475 litros de capacidade tem uma boa abertura, o que facilita o ingresso de objetos grandes. Internamente, o Duster melhorou o aspecto das superfícies, apesar de trazer superfície soft apenas no apoio de braço – todos os outros painéis são em plástico rígido. A área para cabeça, pernas e ombros de quatro passageiros é bem generosa e nem mesmo um terceiro passageiro da fileira traseira causa grandes incômodos para trajetos curtos. O acesso ao interior é facilitado pela altura elevada, mas não exagerada, do modelo. Nota 9.
Acabamento – O interior do Duster ficou mais limpo e moderno. Perdeu um pouco do aspecto rústico, mas não a ponto de ser confundido com o que se convencionou chamar de “SUV Nutella”. Os encaixes são bons e os materiais parecem confiáveis. Há muitos plásticos rígidos, com detalhes em prata ou cromado para amenizar o visual. Nota 7.
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Design – O Duster ficou com um aspecto mais simpático e manteve a pegada de off-road raiz. A alteração na inclinação da coluna dianteira e a nova lanterna traseira quadrada emprestam um ar mais moderno ao modelo. A ideia era preservar a imagem mais robusta e nisso a marca foi bem sucedida. Nota 8.
Custo/Benefício – É um dos pontos altos do Renault Duster Iconic TCe 1.3 Turbo flex. No segmento de SUVs compactos mais completos com motor turbo de maior potência, o preço de R$ 146.990 o deixa um competitivo diante dos rivais –casos de Jeep Renegade e Volkswagen T-Cross 250 TSI, por exemplo. Não é um carro acessível e exatamente por isso a versão tem vendas bem limitadas. Nota 8.
Total – O Renault Duster Iconic TCe 1.3 Turbo somou 80 pontos de 100 possíveis.
Impressões ao dirigir
Evolução dinâmica
É surpreendente ver o Duster com tanta potência e intensidade. O motor TCe 1.3 Turbo flex de 170 cv e 27,5 kgfm mudou a personalidade do velho e conhecido SUV compacto. As acelerações e as retomadas são extremamente vigorosas e a boa relação peso/potência de 7,96 kg/cv e, principalmente, a relação peso/torque de 49,5 kg/kgfm ficam evidentes nas movimentações mais agressivas. O câmbio CVT, com oito marchas pré-programadas, interpreta e reage prontamente às solicitações do condutor. No uso cotidiano, o conjunto exibe maciez e suavidade, com um comportamento agradável para o dia a dia.
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Por dentro, a maior alteração na linha 2023 é o acabamento em couro sintético, batizado pela Renault como revestimento Premium Noir Titane. Por fora, a unidade avaliada trazia o Pack Outside, com para-choque reforçado e protetores nas portas, que combinam bem com as molduras nas caixas de rodas, que agora são de série na versão Iconic. Nada disso, no entanto, mudou a essência do Duster. O SUV continua robusto, com boa capacidade para enfrentar terrenos menos amigáveis, tanto pela suspensão de curso longo quanto pelas características off-road, como a altura livre para o solo de 23,7 cm, e bons ângulos de ataque e de saída, de 30º e 35º, respectivamente – falta apenas uma versão com tração 4X4 com esse mesmo motor 1.3 Turbo, como a que produzida no Brasil para ser vendida na Argentina.
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No mais, o Duster manteve suas características e o jeitão de utilitário esportivo, bem distante da população de crossover que se passam por SUVs. O acerto de suspensão, o espaço interno, os materiais de aparência discretamente rústica, tudo torna o modelo extremamente reconhecível e bom de lidar. Também é bem confortável, com uma direção elétrica bem leve e os bancos dianteiros com bastante espuma e bom suporte lateral.
Ficha técnica
Renault Duster Icon TCe 1.3 Turbo
Motor: Gasolina e etanol, dianteiro, transversal, 1.332 cm³, com turbocompressor, quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro, comando duplo variável no cabeçote e variador de fase com comando eletrônico. Acelerador eletrônico e injeção direta de combustível.
Transmissão: Continuamente variável (CVT) com conversor de torque opção de trocas sequenciais de oito marchas pré-programadas à frente e uma a ré. Tração dianteira. Controle eletrônico de tração.
Potência máxima: 162/170 cv com gasolina/etanol entre 5.500 e 6 mil rpm.
Diâmetro e curso: 72,2 mm X 81,4 mm.
Taxa de compressão: 10,5:1
Aceleração 0-100 km/h: 9,2 segundos com etanol.
Velocidade máxima: 190 km/h com etanol.
Torque máximo: 27,5 kgfm com etanol e gasolina entre 1.600 e 3.750 rpm.
Suspensão: Dianteira do tipo McPherson com amortecedores hidráulicos telescópicos, triângulos inferiores e molas helicoidais e barra estabilizadora. Traseira semi-independente com molas helicoidais, amortecedores hidráulicos telescópicos e barra estabilizadora. Controle eletrônico de estabilidade.
Pneus: 215/60 R17.
Freios: Discos ventilados na frente e a tambor atrás. Oferece ABS com controle de saída em rampa.
Carroceria: Crossover em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 4,38 metros de comprimento, 1,82 m de largura, 1,68 m de altura e 2,67 m de entre-eixos. Oferece airbags frontais de série. Altura mínimo do solo de 23,7 cm.
Peso: 1.353 kg.
Capacidade do porta-malas: 475 litros.
Capacidade tanque de combustível: 46 litros.
Preço da versão: R$ 146.990.
Preço da unidade avaliada: R$ 150.440 (adicionando pintura metálica e Pack Outsider).





