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Yaris: pequeno grande sedã

O preço da fama

Yaris XS tem dinâmica equilibrada e bom nível de equipamento, mas o prestígio da Toyota salga o preço

                No Brasil, Toyota é uma das marcas menos afetadas pelas vicissitudes do mercado. Enquanto as vendas de outras marcas têm variações gritantes, a fabricante mantém uma média de emplacamentos relativamente estável, mesmo confrontando com períodos pré-pandemia. em parte, isso acontece por uma postura conservadora da montadora japonesa, que sempre mantém a produção contida, para que a demanda seja sempre positiva. Mas há também outra característica peculiar no desempenho da Toyota por aqui: a marca vende melhor nos segmentos mais altos.

                Em parte, isso é resultado da imagem valorizada da marca, explicitada na etiqueta de preço, que é mais sentida em modelo que brigam em segmentos de entrada que nos mais luxuosos. Por exemplo: neste ano, até abril, a linha Yaris é a menos vendida da marca entre as linhas produzidas localmente, no Brasil e Argentina – atrás das gamas Corolla/Corolla Cross e Hilux/SW4. E entre todos os modelos, o Yaris sedã é o que tem os menores emplacamentos.

                A melhor explicação para o Yaris isso está mesmo na tabela de preços. A versão XS avaliada, a intermediária do modelo, parte de salgados R$ 105.490 e chega a R$ 107.420 na unidade avaliada na cor Branco Lunar, perolizada. Esse valor o coloca em confronto com versões de topo dos sedãs compactos mais vendidos do mercado, como Chevrolet Onix sedã e Hyundai HB20S, mas alinhado com as configurações intermediárias dos outros dois rivais de origem japonesa: Honda City e Nissan Versa. A média 1200 unidades emplacadas por mês do Yaris ‑ –é o 5º mais vendido do segmento – se manteve mesmo com as recentes mudanças do modelo.

Na linha 2023, houve uma redistribuição de equipamentos e pequenas alterações estéticas na parte frontal, com a grade e o para-choque redesenhados. E todas as versões passam a contar com o motor 1.5 litro com comando variável e 105/110 cv de potência e 14,2/14,9 kgfm de torque, sempre gerenciado por um câmbio CVT com sete marchas pré-programadas, que agora passa a contar com dois modos de condução, Eco e Sport. Na parte de segurança, além dos itens obrigatórios, como airbags frontais, ABS e controle de tração e estabilidade, o modelo dispõe de airbags laterais, de cabeça e joelho do motorista. A modelo incorporou ainda luz diurna de rodagem em led e partir da versão XS, alerta de colisão (sem frenagem autônoma) e alerta de mudança de faixa.

                A XS traz ainda faróis com projetores, lanterna traseira em led, rodas de liga leve de 15 polegadas, colunas e teto na cor preta, revestimento interno parcialmente em couro, ar-condicionado automático, paddle shift para mudanças de marcha, chave presencial, controle de cruzeiro e computador de bordo no painel em tela de 4,2 polegadas. A central multimídia traz uma tela de 7 polegadas no console central sensível ao toque com conexão para smartphones através do Android Auto e Apple CarPlay (Texto e Fotos: Eduardo Rocha, Auto Press).

 

Ponto a ponto

Desempenho – O eficiente motor 1.5 litro do Yaris, que agora é o único da linha, gera entre 105 e 110 cv e entre 14,3 1 14,9 kgfm, dependendo da proporção de gasolina e etanol. Apesar de o torque máximo só aparecer a 4 mil giros, o cabeçote conta com comando variável tanto na admissão quanto o escape, o que equaliza um pouco o rendimento do motor. Com isso, mesmo que não ofereça um desempenho vigoroso, como ocorre com os rivais com motor turbo, o Yaris de comporta de forma equilibrada e agradável, com força nas acelerações e retomadas. Nota 8.

Estabilidade – O Yaris tem uma suspensão de estilo europeu, mais firme, para oferecer maior controle da carroceria e impedir a rolagem nas curvas, mesmo quando se exige mais velocidade. A direção tem o peso correto e é bem precisa, com boa comunicação com as rodas. O conjunto passa uma sensação de solidez que normalmente só é encontrado em modelos maiores. Nota 9.

Interatividade – A direção leve e a transmissão CVT tornam a relação entre homem e máquina bem suave. Além disso, o modelo passa a contar agora com modos de condução Eco e Sport, que muda sensivelmente as reações de câmbio e motor às solicitações no acelerador. O computador de bordo com controles no volante facilita o acesso às informações. A central multimídia é bastante funcional e simples de usar. Os comandos são bem objetivos e lógicos, o que facilita a interação. Nota 8.

Consumo – O Yaris sedã aparece na tabela do InMetro com nota B na categoria e no geral com consumo de 9,0/10,6 km/l na cidade/estrada com etanol e 13,0/14,5 km/l nas mesmas condições com gasolina no tanque. Nota 8.

Conforto – O Yaris é um compacto, mas tem dimensões que favorecem o espaço para a cabine. A boa altura, de 1,49 metros, combinada com os 2,55 metros de entre-eixos permite uma postura mais ereta, o que garante bom espaço para as pernas dos ocupantes traseiros sem que os dianteiros precisem se apertar. A suspensão é firme, mas filtram bem as pequenas imperfeições do piso – até por conta dos pneus de perfil 60. O isolamento acústico é apenas razoável. Sempre que o motor é exigido, ele se apresenta aos ouvidos dos ocupantes. Nota 7.

Tecnologia – O Yaris é estruturado sobre a plataforma B da Toyota, que foi lançada em 2013 no modelo Vios. Ela tem uma boa rigidez torcional, mas não é tão versátil quanto as mais recentes da marca. Já a plataforma eletrônica não acompanhou as inovações do mercado. O modelo conta apenas com alertas, mas sem quaisquer recursos avançados de assistência, como frenagem autônoma ou outros sistemas ativos. Já a central multimídia é básica, com uma tela pequena para os padrões do mercado brasileiro e bom nível de conexão. Nota 6.

Habitabilidade – Em contraposição ao bom espaço interno, há poucos porta-objetos na cabine. No console central, o porta-copos acaba servindo para acondicionar celular, chaves ou outros objetos de uso imediato. Sob o apoio de braços há espaço para objetos maiores e o porta-malas, de 473 litros, é bem generoso. Nota 8.

Acabamento – O Yaris XS segue a lógica mais racional já adotada pela Toyota em outros modelos. Não há requinte, mas os materiais são duráveis, com um design avesso a modismos. Há muito plástico rígido, mas na versão XS há detalhes em couro nos bancos, nos painéis das portas e no volante que elevam um pouco o padrão do carro. Nota 7.

Design – O desenho do Yaris já sente um pouco o peso da idade – na verdade, chegou no Brasil depois de quatro anos de mercado lá fora – e a renovação proposta pela Toyota para a linha 2023 não renovou devidamente o modelo. Seja como for, não é um desenho que cause qualquer rejeição, pois é bem equilibrado e sem grandes firulas. As linhas são fluidas e orgânicas, sempre com a intenção de valorizar o comprimento, para fazer o sedã parecer maior do que é. Nota 8.

Custo/benefício – O Toyota Yaris XS parte de R$ 105.490 e chega a R$ 107.420 com pintura perolizada. Esse valor nivela o modelo às versões intermediárias dos rivais japoneses City e Versa e o coloca bem acima de modelos como HB20S, Onix Plus, que têm no custo/benefício um ponto de atração. Mas vale lembrar que já é praxe a Toyota e os outros japoneses cobrar um pouco a mais que a concorrência em seus modelos. Nota 6.

Total – O Toyota Yaris XS sedã somou 75 pontos em 100 possíveis.

 

Primeiras impressões

Sem falta nem excesso

A Toyota não costuma trabalhar com a emoção. Antes de impressionar com linhas ousadas ou desempenho avassalador, a marca prefere ir ganhando a confiança de seu público-alvo a partir da durabilidade, eficiência e confiabilidade de seus produtos. Ou seja: bebe pouco, anda o necessário e quase não quebra. O desenho do modelo tenta refletir essa filosofia. Não deve trazer nada que cause rejeição, mesmo que não provoque paixão. Nessa trilha de racionalidade, o motor 1.5 litro do sedã movimenta bem o carro e é agradável de conviver. Não sobra nem falta vigor, embora o câmbio CVT seja um pouco mais lento que o desejável.

                O isolamento acústico é bom até certo ponto. Em uso mais civilizado, quase não se ouvem ruídos externos. Mas basta chamar a potência do motor, o que ocorre em giros altos, para o ruído entra no habitáculo sem cerimônias. As suspensões têm calibragem rígida, mas conseguem um bom resultado no conforto quando não enfrenta trechos muito irregulares. A estabilidade, por outro lado, impressiona, O sedã é muito equilibrado e é preciso se esforçar muito para conseguir que ele subesterçe e acabe forçando o controle de estabilidade a entrar em ação.

 

 

 

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Um passo à frente

 

 

Ficha técnica

Toyota Yaris XS sedã

Motor: A gasolina e etanol, dianteiro, transversal, 1.496 cm³, quatro cilindros em linha, com quatro válvulas por cilindro e duplo comando de válvulas variável na admissão e no escape. Injeção eletrônica multiponto e acelerador eletrônico.

Transmissão: Câmbio com transmissão continuamente variável com simulação de sete velocidades e uma marcha a ré e paddle shift no volante. Tração dianteira com controle eletrônico de tração.

Potência máxima: 105 cv com gasolina e 110 cv com etanol a 5.600 rpm.

Torque máximo: 14,3 kgfm com gasolina e 14,9 kgfm com etanol a 4 mil rpm.

Diâmetro e curso: 72,5 mm X 90,6 mm.

Taxa de compressão: 13,0:1.

Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com barra estabilizadora. Traseira com eixo de torção e barra estabilizadora. Controle eletrônico de estabilidade.

Pneus: 185/60 R15.

Freios: Discos ventilados na frente e tambores atrás.

Carroceria: hatch em monobloco com quatro portas e cinco lugares, com 4,42 m de comprimento, 1,73 m de largura, 1,49 m de altura e 2,55 m de entre-eixos. Oferece airbags frontais, laterais, de cortina e de joelhos para motorista de série.

Peso: 1.130 kg.

Capacidade do porta-malas: 473 litros.

Tanque de combustível: 45 litros.

Produção: Sorocaba, Brasil.

Lançamento no Brasil: 2018.

Face-lift: 2022.

Preço da versão: R$ 105.490.

Preço da unidade: R$ 107.420