Luxo campestre
Commander Limited amplia hegemonia da Jeep entre os SUVs no Brasil
O Jeep Commander chegou ao Brasil há pouco mais de sete meses e estabeleceu um padrão de vendas surpreendente até para a própria marca. Com emplacamentos em torno de 1.700 unidades mensais, o Jeep do segmento D, de médios-grandes, fica à frente de quase todos os modelos do segmento C – as exceções são o Jeep Compass e o Toyota Corolla Cross – apesar de os preços do Commander não serem exatamente baixos – ficam entre R$ 215.018 e R$ 295.020. O maior modelo produzido em Goiana, Pernambuco, tem duas configurações de conteúdo, Limited e a top Overland, e duas motorizações, T270 flex e turbodiesel TD380, que dão origem a quatro versões. A versão TD380 Limited é a que junta a motor mais caro, Multijet 2.0 litros, com o conteúdo menos completo. O propulsor turbo acrescenta R$ 52 mil ao pacote, enquanto a versão Limited economiza R$ 27 mil em equipamentos. No final, o modelo fica em R$ 267.209, já contabilizada a redução de IPI. Ainda assim, esse valor está 3% mais caro que no lançamento.

Dificilmente um consumidor de um carro nessa faixa de preço vai fazer contas de chegada na hora da compra, mas é o caso de não pagar por funcionalidades que podem não interessar. Até porque a Limited já vem com um recheio bem gordo: rodas de liga leve de 18 polegadas, iluminação full Led, painel digital com 10,25 polegadas, chave presencial para travas e ignição, banco do motorista com ajustes elétricos, acabamento em couro e suede, movimentação elétrica da tampa do porta-malas e ar-condicionado de duas zonas. De relevante, a Overland traz a mais teto solar panorâmico, som da Harman/Kardom, rodas aro 19 e a plataforma Adventure Intelligence, com roteador wi-fi e interface via Alexa.
A parte de segurança do Commander Limited traz sete airbags e diversos recursos dos chamados sistemas avançados de assistência à condução (ADAS), como controle de cruzeiro adaptativo, alerta de colisão com frenagem autônoma e detecção de pedestres, ciclistas e motociclistas, detecção de ponto cego e de tráfego traseiro cruzado, sistema de manutenção de faixa de rolagem, detector de fadiga do motorista, reconhecimento de placas de velocidade, comutação automática de faróis e sistema de estacionamento semiautônomo. Na parte de conectividade, o modelo traz a central multimídia com tela de 10,1 polegadas, com espelhamento sem fio e conexão através do Apple CarPlay e Android Auto.

O Commander é montado sobre a plataforma redimensionada do Renegade e Compass. Ela foi aumentada tem todas as dimensões para poder oferecer lugar para sete ocupantes, um dos principais diferenciais do modelo. Em relação ao Compass, o Commander ganhou 37 cm no comprimento, 16 cm na distância entre os eixos, 5 cm na altura, e 4 cm na largura. Ele ficou com 4,77 metros de comprimento, 2,80 m de entre-eixos, com 1,70 m de altura e 1,86 de largura. O porta-malas oferece 233 litros de capacidade na configuração para sete passageiros, 661 litros com cinco ocupantes e 1.760 litros com apenas dois lugares.
O motor da versão TD380 sofreu algumas modificações em reação ao propulsor TD350 usado no Compass. Ele ganhou uma turbina de maior capacidade e volante do motor novo e conversor de torque retrabalhado, além de um novo mapeamento para o motor e o acelerador. Com isso, o torque subiu de 35,7 para 38,7 kgfm – ou 380 Nm, a que o nome se refere. A potência, no entanto, permaneceu a mesma, de 170 cv. O objetivo foi compensar nas acelerações e retomadas o maior peso do modelo, que tem 1.885 na versão Limited, ou cerca de 170 kg a mais que o Compass TD350. A versão traz o câmbio automático de nove marchas e sistema 4X4 com reduzida. Ele conta com um seletor de terrenos com modos Sand/Mud, Snow e Auto e também controle de descida. (Texto e fotos de Eduardo Rocha, Auto Press).

Ponto a ponto
Desempenho – Os 170 cv de potência e, principalmente, os 38,7 kgfm de torque do motor 2.0 litros diesel movimentam os quase 1.900 kg do Jeep Commander Limited 4X4 de forma correta, sem sobras ou sofrimentos. O trem de força tem força disponíveis em todas as faixas úteis de rotações, com boas arrancadas e retomadas, mas sem qualquer esportividade – o que vai ao encontro com a vocação do carro. O desempenho é sensivelmente afetado de acordo com a carga. O câmbio automático de nove velocidades tem trocas suaves e no tempo certo. Nota 7.
Estabilidade – A suspensão, independente nas quatro rodas e de curso longo, equilibra os movimentos da carroceria nos trechos mais esburacados, mas de acordo com o número de passageiros a bordo, deixa a carroceria rolar sutilmente nas curvas. Com o conjunto de rodas aro 18 e pneus 235/55, a versão Limited tem boa aderência ao asfalto. As salvaguardas eletrônicas tradicionais, como controle eletrônico de estabilidade e tração, que não são muito invasivas, ao contrário dos sistemas de condução autônoma, que chegam a irritar por reagirem com certa histeria. Nota 8.

Interatividade – O interior do Commander é bastante funcional e tudo é bem localizado. Boa parte dos comandos podem ser acessado através do volante multifuncional, que permite navegar pelo computador de bordo. O seletor de tração 4X4 e Low é por botões e a seleção do modo de tração é feita por um comutador, no console central em torno do câmbio, bem acessível. O modelo tem ainda sistema de estacionamento semiautomático, além de contar sensores dianteiros e traseiros, combinados com a câmera de ré, ajudam a estacionar no “modo analógico”. A central multimídia é bem amigável e tem inclusive GPS nativo e espelhamento sem fio – embora a conexão sofra apagões de vez em quando. A transmissão automática traz aletas no volante para trocas manuais e as informações de temperatura do habitáculo também aparecem na tela do sistema de entretenimento, que tem boas 10,1 polegadas. Nota 9.
Consumo – O InMetro avaliou o consumo do Commander TD380 em 10,3 km/l na cidade e 12,9 km/l na estrada, o que rendeu notas B na categoria e D no geral. São índices bem razoáveis para um modelo de quase 1.900 kg. Nota 8.
Conforto – O Commander é, sem dúvida, o mais refinado entre os Jeep produzidos no Brasil. Ele roda de forma suave e tem um ótimo isolamento acústico. Ouve-se apenas um leve ronronar O motor turbodiesel Multijet ronrona baixo e vibra de forma muito sutil. O espaço no habitáculo é excepcional para quatro ocupantes com a fileira central recuada, muito bom para cinco e um tanto justo com os sete lugares em uso. Essa configuração, na verdade, só é indicada para uso breves. Além do mais, o acesso à última fileira de bancos não é aconselhável para quem não tem o alongamento muscular em dia. A suspensão, não é macia, mas filtra as irregularidades e vibrações. Nota 8.

Tecnologia – A Jeep oferece no Commander Limited uma lista completa de tecnologias de condução autônoma, como controle de cruzeiro adaptativo, estacionamento semiautomático, monitoramento de faixa de rolagem, etc. O padrão de conectividade da versão é o esperado – os sistemas mais sofisticados são oferecidos na versão Overland. O sistema multimídia é amigável e tem tela grande, assim como o painel digital configurável, de 10,25 polegadas – o qual exige um certo tempo para familiarização, tal a variedade de opções. Nota 9.
Habitabilidade – Como boa parte dos SUVs, a altura do modelo facilita a entrada e saída do carro e garante um bom espaço para os ocupantes no interior, principalmente nas duas primeiras fileiras. A terceira fileira é adequada apenas a crianças, tanto pelo acesso pouco amigável quanto pelo espaço. Colocar adultos ali obriga que a fileira central seja deslizada para frente e aperta todos os envolvidos. O aproveitamento dos espaços com porta-trecos é bem inteligente e o porta-malas na configuração para cinco passageiros leva generosos 661 litros. Nota 8.
Acabamento – O padrão de acabamento do Commander é o mais elevado da marca, com um cuidado na montagem visível. Há pouco plástico rígido no habitáculo. A não ser em pontos estratégicos, todos revestimentos são em material macio, de toque agradável e boa qualidade. A cabine tem luxo, com revestimento em couro e detalhes cromados e em bronze, e se destaca no segmento de SUVs médios. De forma geral, o Commander Limited é bem-acabado, tem um interior agradável e bem finalizado. Nota 9.

Design – O design do Commander tem algum sucesso em compensar visualmente a capacidade para sete passageiros. Todos os modelos com esta configuração sofrem de um alongamento desproporcional e o Commander não escapa dessa sina, mas os projetistas da Stellantis lançaram mão de uma série de truques para reduzir esta proporção, principalmente pelo formato do teto e dos conjuntos óticos bastante elevados. O modelo respeita o “guide line”, como a grade de sete fendas, as caixas de rodas trapezoidais, mas tem uma frente mais aguda, que ameniza a imagem de robustez, mas dá um maior refinamento, que é o objetivo da marca. Nota 7.
Custo/benefício – O Commander Limited TD380 4X4 começa em R$ 267.209. Os únicos concorrentes com sete lugares, motor diesel e tração 4X4 são modelos maiores, baseados em picapes, como a Chevrolet Trailblazer e Toyota SW4, que custam R$ 90 mil e R$ 130 mil a mais, respectivamente. Ou seja: está sozinho neste segmento. Nota 7.
Total – O Jeep Commander Limited 4X4 somou 80 pontos em 100 possíveis.
Impressões ao dirigir
Opção pelo requinte
O Jeep Commander chegou ao mercado com a missão de ser o modelo mais refinado da marca no país. Isso fica evidente na escolha dos materiais de acabamento, com couro, suede, alumínio e acabamentos em bronze – que são esteticamente duvidosos, mas aparentemente agradam o público-alvo do modelo. Não dá para negar, no entanto, o requinte presente no habitáculo. Esse refinamento se dá também pela tecnologia, que duas enormes telas, uma de 10,25 polegadas na função de painel e outra de 10,1 polegadas para a central multimídia.

Em relação aos recursos, o Commander traz diversos sistemas autônomos. Alguns deles são bastante funcionais, como estacionamento semiautomático, controle de cruzeiro adaptativo e sensor de ponto cego. Outros, no entanto, não parecem bem adaptados à realidade da infraestrutura brasileira. Esse é o caso do sistema de centralização de faixa de rolagem, que interfere no volante através da direção elétrica. Volta e meia, o condutor é obrigado a “brigar” com o carro para desviar de um buraco, por exemplo.
Outro recurso que não parece muito bem calibrado é o alerta de colisão, de mesmo na configuração menos alarmista, entra em ação muito cego e, pior, de forma escandalosa. Parece que foi pensado para motoristas que caíram em um sono pesado que devem ser acordados com máxima urgência. Em busca de paz, esses dois sistemas foram desabilitados durante boa parte da avaliação. O chato foi ter de desabilitá-los a cada vez que o carro era ligado. Esses dois sistemas também são oferecidos em carros japoneses, da Nissan e a Toyota. Nos dois casos, a elegância oriental foi respeitada. O alerta é um bipe e uma luz piscando discretamente no painel.

Na parte dinâmica, o Commander não se diferencia do Compass de forma acentuada. Ele ele pesa 10% mais e os 8,5% a mais de torque que o motor turbodiesel 2.0 oferece não compensam totalmente a diferença. Tanto que o zero a 100 km/h é feito em 11,2 segundos, contra 10,0 s do Compass correspondente, Limited 4X4. De fato, o Commander é menos ágil, mas isso não foge da proposta mais familiar e menos esportiva do SUV médio-grande.
O aumento de peso afeta também a suspensão, mas a engenharia da marca conseguiu um equilíbrio muito bom entre conforto e controle de carroceria. O Commander tem boa filtragem das irregularidades e também tem uma rolagem até sutil para um modelo de quase 1,9 tonelada. No final das contas, o novo SUV da Jeep foi muito bem pensado para cumprir a vocação de ser familiar e requintado, além de ter uma boa capacidade off-road, mas sem nenhum arroubo esportivo.

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Ficha técnica
Jeep Commander Limited TD380 4X4
Motor: Diesel, dianteiro, transversal, 1.956 cm³, com quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro e turbocompressor. Acelerador eletrônico e injeção direta de combustível.
Transmissão: Câmbio automático com nove marchas à frente e uma a ré. Tração nas quatro rodas com cinco modos de atuação, reduzida e bloqueio do diferencial traseiro. Controle eletrônico de tração.
Potência máxima: 170 cv a 3.750 rpm com diesel.
Aceleração de zero a 100 km/h: 11,6 segundos.
Velocidade máxima: 197 km/h.
Torque máximo: 38,7 kgfm a partir de 1.750 rpm.
Diâmetro e curso: 83 mm x 90,4 mm. Taxa de compressão: 16,5:1.
Suspensão: Dianteira McPherson com rodas independentes, braços oscilantes inferiores com geometria triangular e barra estabilizadora. Traseira McPherson com rodas independentes, links transversais/laterais e barra estabilizadora. Oferece controle eletrônico de estabilidade.
Freios: Discos nas quatro rodas com assistência de partida em rampa.
Pneus: 235/55 R18.
Carroceria: Utilitário esportivo em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 4,77 metros de comprimento, 1,86 m de largura, 1,70 m de altura e 2,79 m de distância entre-eixos. Oferece airbags frontais laterais, de cortina e de joelho para motorista.
Altura para o solo: 212 mm.
Capacidade off-road: Ângulo de entrada de 26,1°, de saída de 24,3° e ângulo de rampa de 21,7°.
Peso: 1.885 kg em ordem de marcha, com 540 kg de capacidade de carga.
Capacidade do porta-malas: 661 litros – 233 litros com sete lugares e 1.760 litros com dois lugares.
Tanque de combustível: 61 litros.
Produção: Goiana, em Pernambuco.
Preço da versão: R$ 267.209.





